Gestão do conhecimento é importante para sustentabilidade da organização social
16/3/2009 - Um novo gestor chega a uma organização social para dirigir um projeto em uma comunidade. Precisa lidar com diversos públicos de interesse e, ao assumir o trabalho, descobre que não há um histórico organizado sobre o que foi executado e aprendido com o trabalho. As informações estão dispersas e a única pessoa que poderia lhe dar informações precisas não integra mais o quadro de colaboradores. Pior, com o tempo, ele verifica que a falta de sistematização de processos e conhecimentos leva ao mau aproveitamento das capacidades dos funcionários e à perda de tempo.
Nas organizações da sociedade civil (OSCs), a situação é recorrente. É comum as pessoas aplicarem muito esforço e criatividade no desenvolvimento de um projeto social até chegar a soluções que são muito próximas das já utilizadas pela própria instituição ou pelas comunidades com as quais ela trabalha. Por isso, ordenar o conhecimento existente e gerenciá-lo de maneira adequada é fundamental.
Para Paulo Sabbag, autor do livro Espirais do Conhecimento (Editora Saraiva, 2007), a gestão do conhecimento pode ser definida como um sistema integrado que desenvolve saberes e competências coletivas, utilizáveis pelas organizações e pessoas, visando ampliar o capital intelectual. Para a diretora de Conhecimento e Educação do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Helena Monteiro, a gestão do conhecimento contribui para a sustentabilidade e para o bom andamento do trabalho no longo prazo. “Uma vez que o conhecimento da organização não é sistematizado, ele fica disperso e corre o risco de ser perdido”, afirma o autor. “O que leva a organização a perder tempo e recursos ‘re-inventando a roda’, ao invés de extrair conhecimento de melhores práticas já desenvolvidas”, conclui.
As instituições sem fins lucrativos são, em sua essência, organizações de conhecimento. Seja ao identificar metodologias inovadoras de mobilização comunitária, seja ao propor estratégias para a melhoria da qualidade da educação, ou ao apoiar a elaboração de políticas sociais, seu trabalho depende diretamente do conhecimento, da produção intelectual. Porém, são poucas as organizações sociais que se preocupam com a gestão do conhecimento. “Em geral, prevalece a crença de que recursos investidos na gestão interna são recursos ‘desperdiçados’, que deveriam ser aplicados diretamente nos projetos sociais”, diz Helena.
O primeiro passo para a gestão do conhecimento é aprimorar a cultura da organização, estabelecendo processos e práticas que favoreçam a sistematização, a retenção e a disseminação interna e externa do conhecimento. Criar processos, políticas, modelos de práticas e padrões de registro ajudam a montar uma cultura voltada para a gestão do conhecimento. A capacidade de criar, sistematizar, aplicar, reter e disseminar o conhecimento contribui para garantir a qualidade do trabalho e a replicabilidade de iniciativas exitosas. “O acesso ao conhecimento acumulado permite à organização melhorar seu desempenho, mantendo a equipe qualificada e investindo em estratégias mais eficientes de transformação social”, explica a diretora de Conhecimento do IDIS.
“Mas a gestão do conhecimento precisa ser uma ferramenta útil”, alerta Helena. “Se for encarada como uma tarefa adicional e sem significado, o processo não é absorvido como parte da cultura organizacional”. A dica é desenvolver em conjunto com as pessoas da instituição modelos que façam sentido e sejam adotados de comum acordo.
Identificar os potenciais internos e externos também integra a gestão do conhecimento. No primeiro caso, é interessante mapear todas as competências e habilidades dos funcionários e das pessoas envolvidas nos projetos. Com isso, é possível usufruir de todos os recursos que cada ser humano pode proporcionar, mesmo que uma aptidão não esteja diretamente ligada ao serviço executado. Por sua vez, o potencial externo consiste em identificar práticas e conceitos desenvolvidos por outros agentes e que podem ser relevantes para instituição.
A Tecnologia da Informação (TI) entra no final do processo de organização dos saberes, como um meio facilitador para a troca de dados, em função da demanda local. Se a direção deseja implantar um banco de dados ou desenvolver determinados critérios de busca, isso deve ocorrer de acordo com a necessidade apresentada. O fato é que apenas com processos, modelos e cultura organizacional determinados, a gestão do conhecimento faz uma importante contribuição para a eficiência e sustentabilidade das organizações sociais.
http://www.idis.org.br/acontece/noticias/gestao-do-conhecimento-e-importante-para-sustentabilidade-da-organizacao-social/
sexta-feira, 26 de junho de 2009
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