quarta-feira, 22 de setembro de 2010

GESTÃO DO CONHECIMENTO

A "explosão da informação" sobre a qual muito se comenta e escreve, é também, em grande medida, a explosão da informação errada e mal organizada (...). A revolução digital apenas agravou os problemas – Murray Gell – Mann.

Acredito, que já não pairam dúvidas que o conhecimento é o recurso econômico mais valioso para a competitividade das empresas e das nações. Porém, tenho observado uma grande distorção por parte dos gestores, que na tentativa de se adequarem às novas exigências de mercado, fazem grandes investimentos em infra-estrutura tecnológica, acreditando ser o suficiente, e raramente obtêm êxito.A Tecnologia da Informação com certeza trouxe grandes benefícios, novas tecnologias para comunicação com grande largura de banda, administração orientada a objetos e multimídia, só para citar algumas, ampliaram o ambiente informacional.Paradoxalmente, chegou o momento, que precisamos aprender a pensar além das máquinas. A tecnologia é apenas um dos componentes da gestão do conhecimento, e freqüentemente não se apresenta como o meio mais adequado para operar mudanças. Pois muitas das mudanças terão que ser pessoal e não tecnológica. A Gestão do conhecimento tem como ponto central o ser humano, ou seja, a informação tem um lado humano comportamental, que acaba influenciando e formando a cultura informacional da empresa. Até o Papa João Paulo II reconheceu e escreveu: "Se antes a terra, e depois o capital eram os fatores decisivos de produção ... hoje o fator decisivo é cada vez mais, o homem em si, ou seja, seu conhecimento".Como todo processo de mudança, a Gestão do Conhecimento tem encontrado muitas barreiras, muitas das empresas ainda operam em um sistema feudal, com vários executivos defendendo em seus castelos as informações chaves, combinado com uma forte corrente de utopia tecnológica.Na nova economia as pessoas, estruturas e clientes formam o Capital Intelectual, e o modelo de gestão é democrático, valorizando a habilidade, iniciativa e a criatividade. Betty Zucker afirma: "As universidades estão repletas de pessoas brilhantes, mas não são um exemplo de brilho coletivo. Como fluxo de conhecimento é pequeno, a universidade não é inteligente como um todo. Por outro lado, as pessoas que trabalham no MC Donald´s tem QI médio, mas trata-se de uma organização muito inteligente, capaz de oferecer a mesma qualidade em diversas culturas. Eles modularam e padronizaram seu conhecimento". Portanto, o Capital Intelectual é a "capacidade organizacional que uma organização possui de suprir as exigências de mercado". Esta definição poderia ser ampliada, incluindo o valor do relacionamento com os fornecedores – não poderíamos chamá-lo de "capital de relacionamento"? seja o relacionamento com os fornecedores ou com os clientes, sua economia e dinâmica são as mesmas". Stan Davis, diz "que na era do conhecimento as empresas devem se configurar a fim de oferecer inovações para seus clientes com tal rapidez que raramente se dêem ao trabalho de criar estruturas sofisticadas como departamentos. Elas simplesmente agem.As empresas devem investir em seus clientes da mesma forma que investem em pessoal e em estruturas. O capital do cliente é muito semelhante ao capital humano não se pode possuir os clientes, do mesmo modo como não se pode possuir pessoas. Mas da mesma forma como uma organização pode investir em funcionários não apenas para aumentar seu valor como indivíduos, mas também para criar ativos de conhecimento para a empresa como um todo, a empresa e seus clientes podem aumentar o Capital Intelectual.O mercado é a mãe das inovações, e o destruidor das burocracias. Júlio Rotemberg, diz: "não se pode simplesmente assumir uma organização pesada, contratar indivíduos inteligentes e esperar que as coisas boas aconteçam". Obter resultados investindo em conhecimento requer um sistema e uma cultura organizacional que permitam o livre fluxo do conhecimento, o que significa descartar regras que abafem novas idéias.Concluindo, a verdadeira Gestão do Conhecimento, não ocorrerá sem maiores mudanças nas abordagens de gerenciamento e na estrutura organizacional, o espírito empresarial deve estar sintonizado com uma gerência que valoriza muito a agilidade, utilizando mais o reconhecimento do que as penalizações, tendo como cultura empresarial o controle de estratégias ao invés de comportamento.
ROMEU MENDES DO CARMOAdministrador de Empresas, com Pós-Graduação em Gestão da Tecnolologia da Informação.romeu@nct.com.br
Referências bibliográficas utilizadas neste artigo:Ecologia da Informação – Davenport, Thomas H – 1998 Capital Intelectual – Stewart, Thomas A. - 1997

Fonte: http://www.guiarh.com.br/p39.html
Gestão do Conhecimento
Motivação nas Organizações

As pessoas aumentam os questionamentos sobre tudo e, principalmente, quanto ao seu trabalho. Buscar a motivação das pessoas com discursos ideológicos sobre a nobreza do trabalho, já não surtem os mesmos efeitos do início do século. Até porque ser um bom profissional (no sentido tradicional de eficiência, disciplina, etc.) já não é suficiente para se manter um emprego. É preciso algo mais, o que inclui a própria capacidade de renovar o seu conhecimento.
Nos tempos altamente competitivos de hoje, com os competidores muito próximos, qualquer alternância na tecnologia pode decidir o momento do jogo. E tecnologia é, segundo os dicionários, totalidade (e aplicação) de conhecimentos.
Um indicador de que cresceu a percepção da importância do conhecimento nas organizações é a própria proliferação de matérias de revistas especializadas ou não, de livros publicados sobre o assunto e de palestras em seminários que tratam de gestão. Normalmente os temas desses materiais e eventos versam sobre talento humano, inteligência competitiva, capital intelectual, engenharia do conhecimento e gestão do conhecimento. Em comum, a reafirmação da importância de uma ação sistemática facilitadora, por parte da organização, no sentido de criar, utilizar, reter e medir o seu conhecimento.
A Gestão do Conhecimento passa, essencialmente, pelo compartilhamento dos conhecimentos individuais para a formação do conhecimento organizacional. Sendo assim, a pessoa que detém o conhecimento é que decide se o compartilha ou não. Depende, portanto, do quanto está motivada para isso. Motivação é, dessa forma, uma questão-chave para uma bem sucedida Gestão do Conhecimento.
As chamadas organizações do conhecimento apresentam algumas características comuns. Uma se destaca fortemente: fazem uso intensivo da informação. A tecnologia da informação utilizada inclui ferramentas para trabalho em grupo, uma diversidade de meios de comunicação (correio eletrônico, INTRANET), redes internas de telefonia e de comunicação de dados, dentre muitas outras. Seu modelo de gestão inclui, obrigatoriamente, um número reduzido de níveis hierárquicos e utilizam sempre, independentemente da sua configuração de organograma, o trabalho interfuncional (times, células, grupos de trabalho e de solução de problemas). Por conseqüência, o processo decisório é acentuadamente participativo. Todo este desenho visa facilitar a coleta, a assimilação e o aproveitamento do conhecimento. Segundo Stewart (Campus, 1998): "Uma empresa tradicional é um conjunto de ativos físicos, adquiridos por capitalistas responsáveis por sua manutenção e que contratam pessoas para operá-los. Uma empresa voltada para o conhecimento é diferente de muitas formas (...) não só os principais ativos (...) são intangíveis como também não está claro quem os possui ou quem é responsável por cuidar deles". Na organização do conhecimento, portanto, o principal ativo é o capital intelectual.
Terra [TER01] em seu livro “Gestão do Conhecimento – O grande desafio empresarial” apresenta o seu modelo das 7 dimensões do conhecimento, que destaca os vários planos e dimensões da prática gerencial, relacionadas à Gestão do Conhecimento.

1. Fatores Estratégicos e o Papel da Alta Administração
Como em todo projeto de abrangência corporativa, o apoio da alta administração é fundamental. Este apoio deve ser consolidado em ações e pensamentos unificados, focalizados. Os líderes devem definir as metas e as estratégias empresariais, definindo o foco nas competências centrais e áreas do conhecimento a serem exploradas. Outros pontos importantes se referem a adoção de princípios de administração flexível (facilitadora) e a adoção de poucos (só os realmente importantes) pontos de controle.

2. Cultura e Valores Organizacionais
Toda organização possui uma cultura própria e valores organizacionais, que foram se formando ao longo do tempo pela interação das pessoas e da administração. Deve-se fomentar um aquecimento e um dinamismo para formação de novos valores refletidos em novas práticas, vencendo barreiras entre o apropriado e o não apropriado. Criar um ambiente de inovação, experimentação e aprendizado contínuo torna-se um grande desafio. A mudança não é um processo rápido ela se faz no dia a dia, acima de tudo com atitudes.

3. Estrutura Organizacional
A mudança na estrutura organizacional é inevitável e tem um objetivo bem definido: “Levantar a Poeira” e mobilizar a estrutura. No geral, segundo Terra [TER01], as estrutura organizacionais modernas estão baseadas na formação de equipes multidisciplinares com alto grau de responsabilidade e autonomia.

4. Administração de RH
O papel da administração de RH é definir políticas que dão suporte a manutenção, aquisição e difusão do conhecimento na empresa, assim pode-se valer de algumas iniciativas:
Atrair e reter talentos – através de práticas seleção, avaliações periódicas de cargos e salários;
Estimular comportamentos - através de um plano de carreira, mapeamento das competências, treinamentos e contatos externos;
Políticas de Remuneração - através da extensão dos salários por meio de benefícios gerais e flexíveis (adaptado a pessoa) e pela valorização as competências individuais e ao desempenho da equipe/empresa.

5. Sistemas de Informação
A tecnologia da Informação é o maior aliado do processo de Gestão do Conhecimento, é o grande facilitador da difusão do conhecimento. Tendo como atribuições a efetivação de um repositório do conhecimento, a disponibilização e a distribuição de conteúdos, de ferramentas de colaboração.

6. Mensuração dos Resultados
Atualmente os esforços de mensuração, têm se concentrado na mensuração dos resultados globais das empresas, associando ao uso ou não de políticas formais de gestão do conhecimento, desta forma os resultados numéricos das empresas são medidos de forma comparativa entre as empresas que possuem e as que não possuem processo formal de gestão do conhecimento. Alguns autores concentram-se em avaliar o Capital Intelectual.

7. Aprendizado com o Ambiente
Os clientes e parceiros por muito tempo foram tratados como entidades de pouco valor para o conhecimento empresarial. Hoje a maioria das empresas está estreitando o relacionamento com seus clientes estratégicos e desenvolvendo alianças estratégicas com outras empresas. Nesta visão abrangente os concorrentes não devem ser encarados como empresas que tem produto semelhante, mas sim um conhecimento semelhante. Muito do conhecimento necessário à empresa está fora dela.
Waldemar Nieclevicz (maior alpinista brasileiro) relata em suas palestras que uma das mais importantes fases de sua escalada é a ambientação. Ambientação significa conviver no local com as pessoas, com a natureza, com outros alpinistas, com tudo que cerca o seu desafio. Segundo ele seria impossível vencer o desafio sem este aprendizado.
A competitividade acirrada do mercado de Tecnologia nos leva a refletir sobre o que seria um bom diferencial competitivo. A inovação nos parece um caminho com grande possibilidade de êxito. Alguns acreditam que inovação seja um lampejo, a expressão máxima da genialidade. Outros a consideram como sendo resultante de um processo, de um trabalho duro, do dia após dia.
Existe a necessidade de entendermos, muito bem, a amplitude do que seja a Gestão do Conhecimento.
A retenção de talentos(e do seu conhecimento) , sobretudo para pequenas e médias organizações é uma tarefa complexa. Nada substitui o talento mas a retenção de parte do conhecimento é fundamental. Outro aspecto a ser considerado é que talento pressupõe indivíduo com conhecimento, com capacidade de aplicação de seus conhecimentos.
Os principais autores e as principais organizações indicam os principais fatores de sucesso:
As pessoas como fonte geradora de conhecimento
A informação como insumo básico para o conhecimento
A tecnologia como suporte e o provimento de infraestrutura difusora e integradora.
No campo da Gestão do Conhecimento as oportunidades para as empresas de tecnologia vão desde desenvolvimento, venda, passando pela consultoria, implantação de soluções, até a venda de informações ou aluguel de infraestrutura.
Se existe mercado é porque existem necessidades a serem supridas.
As empresas de Tecnologia são definitivamente uma empresa como outra qualquer e tem que entender que possui as mesmas necessidades de outras empresas do mercado, fazer a Gestão do seu próprio Conhecimento, como uma atitude estratégica no rumo da competitividade.

Christiana Nantes é pós-graduada em Administração e Tecnologia da Informação pela UFF e Analista de Negócios de uma multinacional. christiane.nantes@internativa.com.br
Fonte: http://internativa.com.br/artigo_conhecimento_08.html

sábado, 27 de junho de 2009

Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?
T.S. Eliot (The Rock, 1934)


Uma bem-sucedida sistematização da gestão do conhecimento deve
considerar que o conhecimento pode existir em dois formatos, tanto na
mente das pessoas, quanto em registros diversos; e a tecnologia da
informação tem grande importância no acesso e na renovação dos
conhecimentos. Seguindo essas preocupações, a essência da idéia de
“criação do conhecimento” utilizada na área de gestão organizacional
reside em pessoas poderem se encontrar e trocar experiências com
outras pessoas que têm ou trabalham com certos tipos de
conhecimentos, e a importância da tecnologia da informação é construir
um suporte para que isso ocorra. Considerando esse ponto de vista,
discutem-se, no presente artigo, esforços para trocas de conhecimentos,
utilizando-se, para isso, o relacionamento entre dois formatos de
conhecimentos – aqueles que são inerentes às habilidades pessoais
(conhecimento tácito) e aqueles que são possíveis de verbalizar e
registrar (conhecimento explícito) – em quatro tipos de conversões do
conhecimento: socialização (tácito de um indivíduo para outro),
externalização (explicitando partes do conhecimento tácito), combinação
(conhecimento explícito de um indivíduo para o grupo) e internalização
(captando no formato tácito o conhecimento explícito do grupo). Os
argumentos aqui apresentados baseiam-se no fato de que uma efetiva
criação e trabalho com o conhecimento apenas ocorre em um ambiente em
que existe uma contínua conversão entre os dois formatos do
conhecimento.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Gestão do conhecimento é importante para sustentabilidade da organização social
16/3/2009 - Um novo gestor chega a uma organização social para dirigir um projeto em uma comunidade. Precisa lidar com diversos públicos de interesse e, ao assumir o trabalho, descobre que não há um histórico organizado sobre o que foi executado e aprendido com o trabalho. As informações estão dispersas e a única pessoa que poderia lhe dar informações precisas não integra mais o quadro de colaboradores. Pior, com o tempo, ele verifica que a falta de sistematização de processos e conhecimentos leva ao mau aproveitamento das capacidades dos funcionários e à perda de tempo.
Nas organizações da sociedade civil (OSCs), a situação é recorrente. É comum as pessoas aplicarem muito esforço e criatividade no desenvolvimento de um projeto social até chegar a soluções que são muito próximas das já utilizadas pela própria instituição ou pelas comunidades com as quais ela trabalha. Por isso, ordenar o conhecimento existente e gerenciá-lo de maneira adequada é fundamental.
Para Paulo Sabbag, autor do livro Espirais do Conhecimento (Editora Saraiva, 2007), a gestão do conhecimento pode ser definida como um sistema integrado que desenvolve saberes e competências coletivas, utilizáveis pelas organizações e pessoas, visando ampliar o capital intelectual. Para a diretora de Conhecimento e Educação do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Helena Monteiro, a gestão do conhecimento contribui para a sustentabilidade e para o bom andamento do trabalho no longo prazo. “Uma vez que o conhecimento da organização não é sistematizado, ele fica disperso e corre o risco de ser perdido”, afirma o autor. “O que leva a organização a perder tempo e recursos ‘re-inventando a roda’, ao invés de extrair conhecimento de melhores práticas já desenvolvidas”, conclui.
As instituições sem fins lucrativos são, em sua essência, organizações de conhecimento. Seja ao identificar metodologias inovadoras de mobilização comunitária, seja ao propor estratégias para a melhoria da qualidade da educação, ou ao apoiar a elaboração de políticas sociais, seu trabalho depende diretamente do conhecimento, da produção intelectual. Porém, são poucas as organizações sociais que se preocupam com a gestão do conhecimento. “Em geral, prevalece a crença de que recursos investidos na gestão interna são recursos ‘desperdiçados’, que deveriam ser aplicados diretamente nos projetos sociais”, diz Helena.
O primeiro passo para a gestão do conhecimento é aprimorar a cultura da organização, estabelecendo processos e práticas que favoreçam a sistematização, a retenção e a disseminação interna e externa do conhecimento. Criar processos, políticas, modelos de práticas e padrões de registro ajudam a montar uma cultura voltada para a gestão do conhecimento. A capacidade de criar, sistematizar, aplicar, reter e disseminar o conhecimento contribui para garantir a qualidade do trabalho e a replicabilidade de iniciativas exitosas. “O acesso ao conhecimento acumulado permite à organização melhorar seu desempenho, mantendo a equipe qualificada e investindo em estratégias mais eficientes de transformação social”, explica a diretora de Conhecimento do IDIS.
“Mas a gestão do conhecimento precisa ser uma ferramenta útil”, alerta Helena. “Se for encarada como uma tarefa adicional e sem significado, o processo não é absorvido como parte da cultura organizacional”. A dica é desenvolver em conjunto com as pessoas da instituição modelos que façam sentido e sejam adotados de comum acordo.
Identificar os potenciais internos e externos também integra a gestão do conhecimento. No primeiro caso, é interessante mapear todas as competências e habilidades dos funcionários e das pessoas envolvidas nos projetos. Com isso, é possível usufruir de todos os recursos que cada ser humano pode proporcionar, mesmo que uma aptidão não esteja diretamente ligada ao serviço executado. Por sua vez, o potencial externo consiste em identificar práticas e conceitos desenvolvidos por outros agentes e que podem ser relevantes para instituição.
A Tecnologia da Informação (TI) entra no final do processo de organização dos saberes, como um meio facilitador para a troca de dados, em função da demanda local. Se a direção deseja implantar um banco de dados ou desenvolver determinados critérios de busca, isso deve ocorrer de acordo com a necessidade apresentada. O fato é que apenas com processos, modelos e cultura organizacional determinados, a gestão do conhecimento faz uma importante contribuição para a eficiência e sustentabilidade das organizações sociais.
http://www.idis.org.br/acontece/noticias/gestao-do-conhecimento-e-importante-para-sustentabilidade-da-organizacao-social/
Os Três Pilares da Gestão do Conhecimento
“Information is data endowed with relevance and purpose. Converting data into information thus require knowledge.” Peter Drucker

Gestão do conhecimento tem três pilares, ou como costumo falar três C’s que compreendem Consultar, Compartilhar e Colaborar. Esses três pilares atuam de maneira transversal, exigindo a atuação em três dimensões: Ferramentas (ou mecanismos), Cultura e Capital Humano. Aqui, neste artigo, abordo principalmente a primeira faceta.
Informação é um bem dinâmico que possui um valor associado. Toda informação possui um ciclo de vida desde o instante em foi gerada, passando por sua organização, armazenamento, distribuição e utilização, até o instante no qual, eventualmente, perde seu valor e pode ser descartada, quando então se finaliza ciclo. Um fator crítico para o sucesso de empresas é sua habilidade de manipular e utilizar todo artefato de informação disponível. De acordo com pesquisa do Gartner Group, “Enterprise Content Management (ECM) will be one of the key application software areas during the next five years” [Austin 2005]. Além disso, há uma tendência das empresas dotarem o ambiente de trabalho de elevado desempenho, i.e. High-Performance Workplace (HPC), permitindo os profissionais de informação (PI) explorarem dados, desenvolverem processos e produtos inovadores, e atenderem a solicitações e demandas de clientes e fornecedores de modo eficiente. Este tipo de solução possibilita os PI’s localizarem de maneira efetiva conteúdo, artefatos e pessoas, bem como disporem de mecanismos de comunicação e colaboração efetivos. Aliado a isto está a necessidade de incorporar mecanismos de integração de aplicações às implementações de gestão de conhecimento. Nesse sentido, as funcionalidades da gestão do conhecimento ou KM (Knowledge Management) podem ser providas por meio de web services numa arquitetura orientada a serviços.
Cabe destacar que um diferencial de gestão é alcançado quando os gestores de uma empresa dispõe de mecanismos de acesso à qualquer artefato de informação de maneira contínua e customizada num curto intervalo de tempo, assegurando o uso efetivo de informações pertinentes a web organizacional (sistemas de informação na intranet da organização) e web global. Além disso, a instituição pode prover diferentes níveis de acesso e visibilidade às informações, dependendo das necessidades do usuário e em conformidade com a hierarquia de acesso a informação da instituição.
Note que a capacidade de compartilhar o entendimento ou consciência, criar conhecimento promovendo a aprendizagem organizacional, e prover suporte à colaboração permite transformar informação em vantagem operacional para empresa num mercado competitivo. Nesse sentido, há uma constante preocupação em transformar dados em informação e conhecimento de modo a promover um entendimento ou consciência geral de uma instituição, bem como disponibilizar o resultado deste processo aos gestores por meio, e.g., de um portal corporativo, permitindo a gestão de toda informação organizacional.
Vale ressaltar que a administração de uma instituição pode fazer uso da tecnologia da informação no suporte a criação e compartilhamento de conhecimento, possibilitando tomada de decisão de forma eficiente e segura. Esta necessidade tem se tornado num desafio devido ao crescimento contínuo do volume de artefatos de informação. Além disso, grande parte das empresas atua de forma centrada no conhecimento com os PI’s necessitando ter acesso a uma ampla variedade de conteúdo. Essa constante busca por informação se justifica pela demanda por otimização de recursos e agilidade da gestão. Nesse sentido, um ambiente de gestão do conhecimento (que inclui cultura e ferramentas) deve prover suporte às atividades de gestão do conhecimento de maneira sistemática, além da integração de aplicações, permitindo identificar, gerenciar e compartilhar todos os artefatos de informação. Isto inclui bancos de dados, documentos, procedimentos e políticas, bem como qualquer outro conteúdo (código, artefato, etc.).
É importante observar a convergência de gestão de conteúdo, portais e ambientes colaborativos resultantes de um ambiente de trabalho que requer interatividade centrada em tecnologia. Nesse sentido, o conhecimento de uma instituição pode ser encontrado em grandes massas de informações não estruturadas. Considera-se que a informação não estruturada pode ser empregada para observação de eventos (tendências / anomalias) nos dados de uma variedade de aplicações. Aqui, a gestão do conhecimento pode ser utilizada para buscar, organizar e extrair informação de múltiplas fontes. Há uma tendência de unificar os esforços de Business Intelligence(BI) e KM, onde se pode ter análise de dados e texto ocorrendo de maneira indistinta. A ênfase em KM, contudo, leva em conta os dados estruturados, bem como os dados não estruturados que compõem mais de 70% das informações existentes.
É justamente aqui que se tem um dos principais, se não o principal problema de Tecnologia da Informação (TI): a necessidade de lidar com dados não estruturados. Dentro desse contexto, verificas-se que web semântica pode ser empregada no tratamento de documentos web de modo que conhecimento, ao invés de dados não estruturados, possa ser acessado e gerenciado de maneira automática. Web Semântica é considerada como um mecanismo para prover estrutura e significado a Web, permitindo sua evolução de uma rede de documentos para uma rede de dados na qual toda a informação tem um significado bem definido, podendo ser interpretada e processada por humanos e computadores [Berners-Lee 2005a, Berners-Lee 2005b]. A Web Semântica oferece suporte a uma arquitetura em que metadados semânticos são usados para descrever o significado das estruturas da Web atual. No contexto de web semântica, metadados significam informações compreensíveis por máquinas sobre recursos da web ou outros objetos. Metadados são utilizados por agentes para compreender o significado dos recursos da web e permitir a manipulação destes recursos. Para proporcionar um modelo de metadados que descreva o contexto da informação de forma não ambígua ou redundante, torna-se necessário um vocabulário específico para descrever cada realidade, adicionado de axiomas que dão significado pretendido às palavras deste vocabulário, i.e., uma ontologia. As estruturas de organização da informação para web semântica definem formalmente relacionamentos entre termos, sendo formados por taxonomia. Vale ressaltar que a taxonomia é um componente de suma importância para gestão de artefatos de informação, como relatado pelo Gartner Group [Caldwell 2003].
Um aspecto final a ser considerado é a natureza evolutiva dos artefatos de informações. Nesse sentido, a web semântica pode ser empregada para fazer o tratamento e manipulação de artefatos de informação, de modo que conhecimento, ao invés de dados não estruturados, possa ser acessado e gerenciado de maneira automática. Perceba que a incorporação de taxonomia tem, adicionalmente, dois objetivos: (i) criar estruturas reutilizáveis que armazenem componentes de conteúdo, independente do formato ou local de armazenamento; (ii) permitir os usuários navegarem essas estruturas para terem acesso a um subconjunto de interesse.
http://www.espacoacademico.com.br/058/58silvafilho.htm